Ele me olha com seu enorme olho preto.
- Eu sei que você tá preso aí há anos. Desde filhote, acorrentado nesse maldito tronco estúpido…
Respirando forte e calmamente, ele puxa um punhado de plantas secas com sua tromba e bota na boca. A tenda é grande, mas é abafado e incômodo ali dentro.
- Você já deve ter tentado escapar muitas vezes quando mais novo… essa história é velha. Mas dizem que elefantes têm uma ótima memória.
Dou uns tapinhas na pele grossa e cinzenta daquele rosto camarada.
- Você certamente se lembra… aquele esforço frustrante, a corrente apertada no pé, rasgando sua carne enquanto você forçava mais e mais e não chegava a lugar algum…
O elefante me espia com seu olho curioso conforme mastiga sua comida.