O mundo é um jogo, sabe? O mundo não passa de um grande tabuleiro em que as pecinhas são pessoas. Sei lá, setores assim da sociedade que a gente empurra pra lá e pra cá e joga dados e faz apostas. Apostas que envolvem muito, mas muito dinheiro. Muito mesmo.
É engraçado. Eu não sei explicar por quê, mas ao mesmo tempo eu também fico meio aflito quando penso nisso. Acho que é porque a gente é responsável por todos, simplesmente todos os problemas sociais do mundo. Sério, existem algumas questões biológicas, umas patologias sem muita salvação, mas a grandíssima maior parte das maldades da humanidade só existem por causa de um sistema que a gente manipula e sustenta.
Mas isso é só um emprego, entende? Existe um sentimento subentendido de que estamos fazendo apenas o nosso trabalho. E o nosso trabalho é, basicamente, nada. Pode acreditar. Todas aquelas pessoas gritando e fazendo telefonemas desesperados lá na bolsa de valores, na verdade, não estão fazendo nada. Chega a ser engraçado. Essa parte também me dá uma certa aflição, mas é sério: todas aquelas pessoas estão lidando com nada mais do que puro ar.
Falo de dinheiro. Uma quantidade absurda de dinheiro que sequer é possível de imprimir. É um dinheiro que não existe. Um dinheiro abstrato, essencialmente infinito, já sem nenhuma relação direta com o mundo real. Só existe na cabeça das pessoas. Se você for ver, o dinheiro não passa de uns numerinhos numa tela. Uma porrada de números capazes de materializar coisas enormes. Tirando alguns deles, por exemplo, você ganha um jato particular.