Chove um pouco naquela manhã e toda a família se reúne em volta da encubadora. Dentro dela, um grande ovo com uma luz morna e rosada em seu centro, brilhando com ternura. Ansiosos, ao redor, os parentes aguardam.
- Vai nascer a qualquer momento…
São todos azulados, um tanto pálidos, vestindo roupas brancas que cobrem o corpo inteiro. Embora a cabeça não seja revestida, usam todos um capacete transparente, como se fossem astronautas em outro planeta.
- Veja, veja… está começando a tremer…
Silenciosa, a mãe do bebê abraça seu marido e o vidro de seus capacetes se tocam. Ela chora, mas não escorrem lágrimas. Suas pupilas apenas dilatam, cada vez mais, até seus olhos ficarem quase completamente pretos de tanta emoção. Enquanto isso, também emocionado, seu marido a abraça, sorrindo por baixo de seus bigodes grossos como pequenos tentáculos.
A casca do ovo se rompe e uma gosma rosada começa a escorrer pra fora. A encubadora começa a apitar e um homem se aproxima para apertar alguns botões, regulando a temperatura ali dentro. Mãozinhas pequenas e azuladas começam a escapar pra fora do ovo, brilhando, e a família inteira observa com olhos grandes e negros.
- É uma menina…
A criaturinha bota a cabeça pra fora, azul, com pequenos olhinhos pretos e confusos. Eles encaram a família do outro lado do vidro da encubadora, e o bebê logo abre sua boquinha coberta de finos tentáculos e começa a chorar. O homem aperta mais alguns botões na encubadora e os familiares se abraçam, emocionados.