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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O TIOPÊS NA LITERATURA

Claro que não. Muito dificilmente seria aceito na literatura tadicional que os personagens falassem em algo tal como o "tiopês". Não só os personagens, mas imagina só: o próprio narrador, ausente, onisciente, narrando em terceira pessoa. Jamais o narrador que narra em terceira pessoa poderia desenvolver tanta pesonalidade e presença (apesar de todos sempre acabarem tendo um jeitão meio próprio), pois no momento em que ele se excedesse ia acabar se parecendo demais com um ser humano, e os leitores poderiam começar a achar que ele existe de alguma forma no universo da história e tudo ficaria confuso. Tal como esse narrador, aliás, aqui e agora - a essas alturas, devem pensar tratar-se do autor. Mas não é. O André é outra pessoa. Aqui há apenas um narrador que narra de uma forma particular, meio humana demais, e ousa ficar de enrolação falando sobre a própria narrativa antes de finalmente começá-la. Mas na verdade, a história tem a ver com isso (e essa é a graça desse metalinguismo). É sobre um cara, Leonardo, um nome meio longo, tanto pra falar e escrever, e que portanto fica mais facilmente expresso com um simples "Leo".

- Cara, eu tava pensando num negócio… e se a literatura falasse tiopês?