(Redação feita pra escola, anos atrás)OBS.: A idéia era que fizéssemos uma crônica que tivesse como base uma notícia atual. Escolhi uma em idosos receberam uma carta condenando-os pelo uso "abusivo" e "exagerado" do direito de viajar de graça com o RioCard. O meu comentário sobre a notícia, embora recheado de ironias e exageros, está aí. Espero que esteja compreensível...
Aureliano Figueiredo não se deixava abater. Todos os dias, às 6 da manhã, o velhinho estava de pé em frente a um ponto de ônibus. Antigas namoradas, amigos de infância e companheiros de guerra iam chegando aos poucos e se juntando no local. Alguns tinham espírito jovial e usavam roupas modernas. Outros eram trêmulos, corcundas e usavam, em pleno calor do Rio de Janeiro, xales e suéteres nas costas. Já o próprio Aureliano, por sua vez, era uma espécie de híbrido entre os dois gêneros: velho aqui e jovem ali. Era ele que comandava a coisa toda.
Começou como uma simples brincadeira nostálgica: os velhinhos se reuniam, trocavam memórias antigas e passeavam pelos diversos pontos da cidade que lhes eram marcantes. A inocente relembrança, porém, durou pouco. A brincadeira tornara-se chacota. A chacota tornara-se crueldade. E assim, inesperadamente, a coisa tomou proporções assustadoramente catastróficas.